A publicidade de médicos e clínicas segue a Resolução CFM nº 2.336/20231, em vigor desde 11 de março de 20242. Ela substituiu as regras de 20111 e passou a permitir o que antes era proibido, como informar o preço da consulta e mostrar antes e depois com finalidade educativa. Para quem vai criar ou revisar o site do consultório ou da clínica, este é o resumo do que pode, do que não pode e do que precisa aparecer.
A resolução em cinco pontos
O essencial, direto da resolução1:
- O site conta como rede própria do médico, ao lado de Instagram, WhatsApp e YouTube.
- Nas redes próprias, a publicidade pode buscar pacientes: a resolução admite o objetivo de formar, manter ou ampliar a clientela.
- Identificação obrigatória na página principal: nome, CRM e, se houver, especialidade com RQE.
- Liberado: preço da consulta, formas de pagamento, descontos sem venda casada, fotos do consultório e da equipe.
- Proibido: prometer resultado, sensacionalismo, autopromoção e títulos como "melhor médico".
O que precisa aparecer no site
Toda peça de publicidade médica precisa trazer1:
- nome e número de registro no CRM (ou nos CRMs onde o médico atua), acompanhados da palavra MÉDICO;
- especialidade ou área de atuação registrada no CRM, seguida do número do RQE (Registro de Qualificação de Especialista), quando houver.
Em sites, blogs e redes, esses dados devem estar na página principal1. No site, o caminho mais seguro é mostrá-los na primeira tela, na apresentação do médico e no rodapé de todas as páginas.
Clínicas e outros estabelecimentos mostram, em local visível, o nome do estabelecimento com o número de registro no CRM e o nome do diretor técnico-médico com o CRM e, quando exigível, a especialidade com RQE1. É o diretor técnico-médico quem responde pela publicidade da clínica perante o CRM1.
Especialidade, pós-graduação e "NÃO ESPECIALISTA"
A resolução também define como divulgar a qualificação1:
- Especialista é quem tem RQE. O médico pode divulgar até duas especialidades e as áreas de atuação relacionadas.
- Pós-graduação sem RQE, cadastrada no CRM, aparece assim: "MÉDICO com pós-graduação em (área)", seguido de NÃO ESPECIALISTA, em caixa alta.
- Quem não é especialista não pode divulgar que trata de órgãos, sistemas ou doenças específicas.
O que o site pode mostrar
A resolução permite mostrar1:
- Fotos e vídeos do consultório, do próprio médico e da equipe.
- Como marcar consulta, horários e como funciona o atendimento, inclusive com botão de WhatsApp.
- Endereço, estacionamento, segurança, conforto, localização e os planos e seguros aceitos2.
- Valores de consultas, meios e formas de pagamento. Para procedimentos particulares, a informação de que o valor é combinado antes do atendimento.
- Descontos em campanhas promocionais, sem venda casada nem premiações.
- Equipamentos, com as indicações aprovadas pela Anvisa.
- Resultados comprováveis de tratamentos, sem identificar pacientes.
- Selfies, imagens e áudios sem sensacionalismo.
O preço foi uma das mudanças mais comentadas. A exposição de motivos da resolução explica que valores de consultas, procedimentos e exames podem ser anunciados quando não dependem de avaliação prévia, e veta ofertas casadas como "faça a consulta e ganhe o exame"1.
Antes e depois, imagens de pacientes e depoimentos
A resolução permite imagens de pacientes com finalidade educativa1, com regras bem definidas:
- Toda imagem vem com texto educativo: indicações, fatores que influenciam o resultado e complicações descritas na literatura.
- O antes e depois é apresentado em conjunto, com evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações.
- É proibido identificar o paciente e editar, manipular ou "melhorar" as imagens.
- Com imagens do próprio médico ou da clínica, é preciso autorização do paciente, respeito à privacidade e anonimato, mesmo com a autorização.
- Imagens de banco de imagens precisam citar a origem.
Depoimentos e selfies de pacientes repostados precisam ser sóbrios, sem adjetivos que indiquem superioridade ou promessa de resultado1. E o que o médico reposta passa a contar como publicação dele1. Na nossa leitura, isso vale também para avaliações do Google exibidas no site: escolha as que falam do atendimento. Veja como pedir e responder avaliações em avaliações no Google.
O que continua proibido
Entre as proibições da resolução1:
- Garantir, prometer ou insinuar bons resultados.
- Sensacionalismo, autopromoção e conteúdo inverídico, como atribuir a si ou a uma técnica qualidades privilegiadas.
- Aceitar, ou não impedir, que o nome entre em listas como "médico do ano" ou "melhor médico".
- Anunciar atendimento gratuito em consultório privado.
- Divulgar método não reconhecido pelo CFM ou equipamento sem registro na Anvisa.
- Expor imagens de consultas e procedimentos em tempo real, mesmo com autorização do paciente.
No site da clínica
Além da identificação do estabelecimento e do diretor técnico-médico, cada médico que aparece no site da clínica precisa ter concordado em participar e ser identificado com nome, CRM e, se for o caso, especialidade e RQE1. Em clínicas com outras profissões, cada profissional segue também as regras do próprio conselho.
Foi o que organizamos no site da Clínica Viver, em Jaborandi/BA, que reúne consultas médicas, odontologia e laboratório: as três frentes explicadas com clareza, o agendamento pelo WhatsApp a um toque e a localização e os horários sempre à vista.
Checklist antes de publicar
- Nome, CRM e a palavra MÉDICO na página principal e no rodapé.
- Especialidade só com RQE; pós-graduação sem RQE com "NÃO ESPECIALISTA".
- Na clínica: registro do estabelecimento no CRM e diretor técnico-médico com CRM.
- Preço e formas de pagamento, se quiser, sem venda casada.
- Antes e depois só educativo, em conjunto, sem identificar o paciente e sem edição.
- Depoimentos e avaliações sóbrios, sem adjetivos de superioridade.
- Nenhuma promessa de resultado ou superlativo.
- Equipamentos com as indicações aprovadas pela Anvisa.
- Agendamento claro: WhatsApp, horários, endereço e convênios.
- Ficou alguma dúvida? Consulte a Codame do seu CRM.
Todo texto de site da área da saúde que escrevemos é revisado com o médico ou a clínica antes de ir para o ar. Se quiser conversar sobre o seu, peça um diagnóstico gratuito ou veja o que entra na criação de sites.
Perguntas frequentes
Médico pode colocar o preço da consulta no site?
Pode. A Resolução CFM 2.336/2023 permite informar valores de consultas, meios e formas de pagamento, e anunciar descontos em campanhas promocionais, desde que sem venda casada nem premiações.
Médico pode postar antes e depois?
Pode, com finalidade educativa: as imagens vêm com texto sobre indicações, fatores que influenciam o resultado e complicações, num conjunto que inclui evoluções satisfatórias e insatisfatórias, sem identificar o paciente e sem edição.
O que precisa aparecer no site de um médico?
Nome, número de registro no CRM acompanhado da palavra MÉDICO e, se houver especialidade registrada, o número do RQE. Em sites e redes sociais, esses dados devem estar na página principal.
Fontes
- Resolução CFM nº 2.336/2023Conselho Federal de MedicinaArts. 3º a 6º (responsabilidade e identificação), 8º (sites como redes próprias), 9º (permissões), 11 (proibições), 13 (qualificação e NÃO ESPECIALISTA), 14 (imagens de pacientes e antes e depois), 17 (vigência) e exposição de motivos.
- Parecer CRM-MG nº 16/2025Conselho Regional de Medicina de Minas GeraisRegistra que a Resolução CFM 2.336/2023 está em vigor desde 11/03/2024 e que o médico pode divulgar endereço, planos aceitos e formas de marcação de consulta.
- Publicidade MédicaConselho Federal de MedicinaManual de Publicidade Médica, perguntas e respostas, quadro comparativo com a norma anterior e canal de dúvidas.
Fontes consultadas em 25 de outubro de 2026. Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um profissional da área.